terça-feira, 27 de outubro de 2015

Ensinar pela imagem

A educação/formação é um fenómeno observado em qualquer sociedade e nos grupos que a constituem. Contudo, é a sociedade, no sentido mais lato, a grande responsável pela manutenção e perpetuação da Educação/Formação.
Desde há muitos anos, que a sociedade educa e forma as gerações que se seguem, transpondo os modos culturais de ser, estar e agir, que são necessários à convivência e ao ajustamento de um cidadão à sua sociedade.
Ao analisarmos esta sociedade, verificamos que, actualmente, esta se insere num novo paradigma, sendo cada vez mais tecnológica. Assim, e uma vez mais, terão de ser as entidades formativas a adaptar-se às novas realidades e aos novos contextos educativos e formativos.
Hoje, a formação concorre diretamente com a MTV e/ou com a Playstation, pelo que deveremos usar novas ferramentas e novos métodos de abordar conteúdos.
As novas gerações cresceram com um comando numa mão e com um rato na outra, como referem Lencastre & Chaves (2003) «(…) a nova geração nasceu num universo invadido pela imagem (…)».
Notamos que, grande parte do uso de uma imagem é unicamente motivador e ilustrativo, conforme nos referem Lencastre & Chaves (2003) «(…) é um uso redutor no processo ensino / aprendizagem, e as suas potencialidades não estão a ser adequadamente usadas.»
Desta forma, os formadores devem ter em conta novos sistemas de ensino e a forma como abordam este novo paradigma social. Verificamos que a imagem ilustrou o texto durante muitos anos, quando a imagem apenas acompanhava o texto. Porém, o papel do texto nos meios tecnológicos é elucidar sobre algo que primeiro foi experimentado como imagem, são exemplo os “smileys”, caracteres que tentam expressar emoções nos textos. Esta ideia é expressa por Lencastre & Chaves (2003) «O ensino pela imagem é importante porque marca o reconhecimento da imagem já não apenas como um auxiliar que pode servir outras linguagens, mas enquanto linguagem específica, com valor próprio.»
Com efeito, o ensino pela imagem deve, além de motivar e ilustrar, servir de instrumento de comunicação e conhecimento, para que um formando possa obter a maior quantidade de informação possível. Para tal, o papel do formador é fulcral, visto que ajudará o formando no processo de descodificação de uma imagem, sempre com interacções e diálogos com os formandos e estes com os seus pares, podendo traduzir a imagem em palavras e iniciar um processo que Lencastre & Chaves (2003) denominam de «alfabetismo visual».
Assim, podemos referir que a leitura de uma imagem é um processo que pode ser simples, se esta leitura for denotativa, mas que deve ser mais complexo, com uma leitura conotativa, pois implica muito mais com a interpretação de cada formando, o que o torna parte central no processo de aprendizagem de um conteúdo.
Em suma, cada formador é e será, cada vez mais, responsável por orientar os seus formandos na interpretação de imagens, nomeadamente, seleccionando o nuclear do acessório e, sobretudo, tentando dar resposta a uma sociedade que anseia por uma formação digital, motivadora e integradora.
  




Bibliografia
LENCASTRE, José Alberto & CHAVES, José Henrique (2003). Ensinar pela Imagem. Revista Galego-Portuguesa de Psicopedagoxía e Educación. N 8 (Vol. 10) Ano 7. 2100-2105. ISNN: 1138-1663