terça-feira, 27 de outubro de 2015

Educação, TIC e Língua Portuguesa

“Um computador ligado à internet em cada sala de aula é melhor do que nada, mas não é mais do que um mísero e pequeno passo em direção à verdadeira mudança”  (Papert, 1997, p. 216).

É um facto que hoje, as TIC oferecem um imensas oportunidades para o processo de ensino/aprendizagem à distância de um pequeno click, permitindo aos alunos saírem das aulas sem dúvidas, tornando-se fator motivacional, sendo motivo para a inclusão de alunos de diferentes características, necessidades educativas ou provenientes de contextos diferentes. Porém, também se levanta o problema do acompanhamento pedagógico e tecnológico por parte do corpo docente, sendo a questão essencial, o que diz respeito às metodologias usadas, à forma como se dá uso à tecnologia.
Refere Carvalho (2011:37), que o “conceito de literacia transcende já o mero indivíduo alfabetizado, significa a capacidade de cada indivíduo compreender e usar a informação escrita em vários materiais (…) de modo a atingir os seus objetivos, a desenvolver os seus próprios conhecimentos e potencialidades e a participar ativamente na sociedade. Ora o autor identifica a alfabetização como algo bem maior do que apenas ler e escrever, pois pressupõe uma compreensão de todo o tipo de informação e de todo o tipo de recursos que a disponibiliza. Todavia, é de alertar para o conceito de literacia como sendo o mais apropriado para a sociedade em que vivemos, porque supõe também a aquisição de competências informáticas, para que os indivíduos do mundo atual não se tornem info-excluídos, seja outra forma de iliteracia.
A escola foi durante muitos anos o local de alfabetização, pelo que no contexto da sociedade atual terá obrigatoriamente de ser, também, o local do alfabetismo informático. Hoje em dia, é claro, que a escola está a sofrer uma alteração de raiz, os seus objetivos vão sendo redefinidos e parecem nunca estar atualizados. Torna-se importante retirar desta leitura, que hoje a ida à escola por parte dos alunos, não se circunscreve à aprendizagem de competências de leitura, escrita e cálculo, mas, sobretudo, à aquisição de competências de interpretação e compreensão de todo o tipo de informação disponível, bem como o desenvolvimento do conceito de cidadania.
Com efeito, também os professores terão que adequar as suas práticas a este novo contexto, potenciando a integração e desenvolvimento das TIC junto dos alunos, de forma a obter os melhores resultados. Evidentemente, que os professores têm que investir bastante na sua formação e adequá-la a este contexto social, mas também apropriar-se do domínio de novas ferramentas que ajudam a promover o trabalho cooperativo e de discussão, tornando as aprendizagens mais significativas. Refere Faria (2010), que se pretendem que os professores usem tecnologias de modo consequente com os seus alunos, então também se requer que detenham capacidades de conceção de atividades curriculares com componente tecnológica, de selecionar software, de organizar projetos que se socorram de tecnologia. Deste modo, apresentamos neste artigo algumas ferramentas disponíveis e de utilização fácil, para que os professores usem em contexto de sala de aula, para que tenham impacto nas aprendizagens, tais como o Hotpotatoes, Webquests, Microsoft Powerpoint, OpenOffice.org Impress, Microsoft Movie Maker, Smilebox, Microsoft Photo Story 3 e o Vamos Escrever, mas também apresentamos diversas ferramentas da WEB 2.0 (colaboração e partilha na internet) como blogues, wikis, fóruns, chats, googledocs, skydrive, flickr, slidshare, entre muitos outros.
Na verdade, o papel do professor da sociedade atual é o de alguém que coloca o aluno no centro das aprendizagens e de forma ativa no processo educativo, alguém que promove a comunicação, a partilha e cooperação, mas também alguém que coordena os alunos num espaço aberto e comunicativo, para que criar uma rede de aprendizagens e adaptação de conteúdos através de ferramentas disponíveis a baixo custo.
No que concerne à Língua Portuguesa, torna-se premente repensar o uso excessivo do manual e potenciar o ensino da leitura, escrita e oralidade usando dispositivos tecnológicos. Assim, sugerimos algumas atividades tais como utilizar o Photostory 3.0 para a realização de um resumo de um livro. Após uma análise textual completa do livro Lendas do Mar, de José Jorge Letria, os alunos foram convidados a escolher um dos contos da coletânea lida e analisada. Assim, os alunos escrevem o resumo na aplicação, que vai sendo corrigida pelo professor, depois vão fazendo as ilustrações e colando texto e imagem sincronizadamente, para que depois possam fazer a leitura e narrar o texto escrito por baixo de cada uma faz imagens desenhadas.
Outra sugestão tem que ver com o uso da aplicação Vamos Escrever, na qual os alunos fizeram uma revista, escrevendo diferentes textos, colocando diferentes imagens e ícones. A grande vantagem está no trabalho gráfico que a aplicação permite, sendo de fácil intuição para os alunos, logo mais motivador para trabalhar.
Assim, as vantagens das TIC permitiem mais motivação, combate à exclusividade didática do texto escolar, permitem práticas colaborativas e de partilha em tempo real, permitem uma cidadania responsável, crítica e participativa, bem como uma nova relação pedagógica entre professor e aluno, que não são de menosprezar.

Práticas:
Numa era em que o número de utilizadores da internet sobe exponencialmente e em que o correio eletrónico, por exemplo, ultrapassa já a conversação por telefone, é de facto urgente perceber de que maneira estes recursos tecnológicos podem ser utilizados para potenciar a aprendizagem e quais as melhores formas de o conseguir.
No caso concreto do ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa, isso passará pela resposta a algumas questões como as que a seguir se apresentam e que poderão constituir um ponto de partida para melhores práticas profissionais.
Assim, o inquérito por questionário foi realizado nos Agrupamentos de Escolas do Concelho da Trofa, com a participação de vinte professores, entre os 1.º (10) e 2 .º (10) Ciclos do Ensino Básico, sendo que os últimos da área de Língua Portuguesa.

  1. Que competências de Língua Portuguesa deverão ser mais exploradas?
Os professores foram claros em admitir que objetivos, como ler, interpretar e compreender qualquer tipo de informação é primordial na atualidade. O saber interpretar é nesta altura o mais badalado pelos professores, pelo que os alunos leem informação, mas não a interpretam corretamente.

  1. Que tipo de atividades e projetos deverão ser os alunos envolvidos para atingir essas competências?
A maioria dos professores nomeia a leitura de diferentes tipos de texto em sala de aula, mas também a criação de jornais de turma, cantos de leitura, leitura a pares e em voz alta, visualização de notícias, recorte de panfletos e análise do seu conteúdo em sala de aula,…

  1. Que ferramentas e/ou aplicações adequadas conhece para o ensino e aprendizagem da Língua Portuguesa?
A maioria dos docentes desconhece outras ferramentas para além do Word e Escola Virtual de Língua Portuguesa. Porém, houve pelo menos cinco docentes que conhecem alguns produtos e aplicações mencionadas nos artigos, usam blogues de turma e conhecem outros softwares.

  1. Como é que professores e alunos poderão fazer uso das potencialidades das tecnologias online para maximizar o estudo e a prática da Língua Portuguesa, nomeadamente, em termos de comunicação ou de aprendizagem colaborativa?
A maior parte dos professores apresenta o uso do correio eletrónico como a única ferramenta para potenciar a comunicação e aprendizagem colaborativa, através de dúvidas e esclarecimentos dados através de emails. Porém os mesmos cinco docentes acima referidos, conhecem e usam o blogue como forma de aprendizagem colaborativa e um desses professores potencia o uso das Wikis.

  1. Como preparar os alunos para realizarem as suas próprias pesquisas na internet, organizarem e fazerem uso crítico da informação aí encontrada?
Os professores reconhecem que antes de se proceder a uma pesquisa, eles próprios devem estar bem informados sobre o seu conteúdo. Depois consideram fulcral definir objetivos para a pesquisa em questão e definem a sua utilidade para conteúdos de Língua Portuguesa como sendo primordiais.

  1. Como contrariar o plágio de trabalhos na área da Língua Portuguesa?
A maioria dos docentes não conseguiu encontrar solução para esse problema.

  1. Qual a sua praxis relativamente ao uso das TIC na sala de aula?
Pelo menos dez professores dos inquiridos refere não usar as TIC no seu dia-a-dia, três professores reconhece o uso das TIC de vez em quando, em algumas atividades. Sete dos professores referem que usam diariamente as TIC nas suas aulas, sendo a maioria através da projeção e do uso do Quadro Interativo Multimédia.
Concluímos através desta análise, que a maioria dos professores ainda não incluiu o uso das TIC nas suas práticas, mas também, que quando as usam, não conseguem tirar o melhor partido das mesmas, já que apenas substituíram um quadro de giz por um outro mais tecnológico, mantendo as suas práticas e metodologias.
Também reconhecemos o esforço de alguns docentes para se informarem e iniciarem novas práticas colaborativas e com metodologias apelativas ao uso das TIC como forma de prosseguir as competências educacionais de forma mais motivadora.
Em nota final, apenas queremos deixar a curiosidade que os professores do 1.º Ciclo do Ensino Básico usam mais as TIC em comparação com os do 2.º Ciclo do Ensino Básico.
  
Bibliografia
Carvalho, A. (2011). Educação, TIC e língua portuguesa. Palavras. N.º 39-40 / primavera-outono. pp. 37-47. Associação de Professores de Português.
Faria, I. (2010). A integração das TIC no 1.º CEB, uma experiência educativa de Formação no âmbito do «Programa e-Escolinha». in Costa, F (org) Atas do I Encontro Internacional TIC e Educação TicEduca 2010. Lisboa: Instituto de Educação de Lisboa.
Papert, S. (1997). A Família em Rede. Lisboa: Relógio d’Água.

As competências digitais dos formadores

Para além de fatores de cariz eminentemente organizacional e cultural, como a resistência à mudança e a inércia própria das instituições de formação, aliás abundantemente estudados e normalmente referidos como justificação para “atrasos” de outra índole, este tipo de justificações desloca para os diferentes agentes de educação e formação em particular a responsabilidade do estado atual nomeadamente em termos da sua incapacidade de inovação e mudança.
Segundo Peralta e Costa (2008) são, de facto, numerosas as razões para a resistência ao uso das tecnologias em contexto educativo por parte dos formadores. Nuns casos receiam o que isso trará de novo e as alterações que será necessário fazer nos modos como trabalham, noutros casos receiam não poder dispor das condições necessárias para implementar as mudanças pretendidas, ou pura e simplesmente não desejam participar nessa mudança.
Os obstáculos que classifica de primeira ordem, são tipicamente de natureza extrínseca, porque são externos ao formador ou requerem uma determinada intervenção “tecnológica” para que a mudança possa ocorrer, como por exemplo, a falta de computadores ou a dificuldade de acesso a programas específicos. Inclui nesta primeira categoria o acesso ao hardware, o acesso ao software, o tempo necessário para a planificação, o apoio técnico e o apoio administrativo. Os obstáculos de segunda ordem, são “internos” ao formador e podem manifestar-se de formas diferenciadas. O receio dos computadores, ou o sentimento de insegurança que manifestam na sua presença são exemplo disso. O que Perrenoud (1999) sublinha é precisamente o facto de, muitas vezes, os obstáculos de primeira ordem esconderem os de segunda ordem. Inclui nestes, não apenas as teorias dos formadores (teorias implícitas, crenças) sobre a tecnologia, mas também as suas conceções sobre a formação, o próprio contexto organizacional da instituição de formação, a falta de consistência dos modelos de ensino, a falta de vontade para mudar.
O limitado uso das tecnologias é justificado por muitos pelas dificuldades inerentes à realidade cultural das próprias escolas, e pelas variáveis diretamente relacionadas com os próprios formadores (conhecimentos, competências, atitudes, crenças) (Dias, 2001), sendo estes aspetos mais difíceis de superar do que a falta de equipamento (computadores e programas), que constituía, pelo menos até há bem pouco tempo, um dos motivos mais alegados pelos formadores para justificarem o uso reduzido dos mesmos na sua prática pedagógica.
Segundo Alarcão (2001), um formador tem mais facilidade em adaptar-se a uma determinada inovação se as suas expectativas encaixam bem na sua conceção de formador. À semelhança do que se passa noutras áreas, como, por exemplo, na Matemática ou nas Ciências, em que é visível a influência que têm as crenças dos formadores nas suas práticas, é possível que seja similar a relação entre o uso das TIC. Verifiquemos o estádio em que um formador se pode encontrar de acordo com as suas competências digitais (Figura 1).

Estádio
Exemplo do que os formadores fazem
Entrada
Aprende o essencial para usar novas tecnologias
Adoção
Usa as novas tecnologias enquanto suporte de ensino tradicional de transmissão
Adaptação
Integra as novas tecnologias nas práticas tradicionais como forma de aumentar a capacidade produtiva dos formandos através da utilização de processadores de texto, folhas de cálculo ou de apresentações eletrónicas
Apropriação
Incorpora o potencial de cada tecnologia em projetos de trabalho interdisciplinar e colaborativos
Invenção
Descobre novos contextos de uso das diferentes tecnologias disponíveis, combinando o seu potencial ao serviço do desenvolvimento dos formandos
Figura 1 – Estádios de Competências Digitais (formadores)

Alarcão, I. (2001). Professor - investigador: Que sentido? Que formação? Cadernos de Formação de Professores. n.º1. p.21-30. Universidade de Aveiro.
Dias, P. (2001). Comunidades de Conhecimento e Aprendizagem Colaborativa. Seminário Redes de Aprendizagem, Redes de Conhecimento. Lisboa. Conselho Nacional de Educação.
Peralta, H. & Costa, F. (2008). Competência e confiança dos professores no uso das TIC. Síntese de um estudo internacional. Sísifo. Revista de Ciências da Educação. n.º 03. p.77-86. Retirado de http://sisifo.fpce.ul.pt/pdfs/sisifo03PT06.pdf
Perrenoud, P. (1999). Formar professores em contextos sociais em mudança: prática reflexiva e participação critica. n.º 12. p.05-2. Revista Brasileira da Educação.

Educar pela imagem jogando com as TIC

Desde há muitos anos, que a sociedade educa as gerações que se seguem, transpondo os modos culturais de ser, estar e agir, que são necessários à convivência e ao ajustamento de um cidadão à sua sociedade.
Ao analisarmos esta sociedade, verificamos que, atualmente, esta se insere num novo paradigma, sendo cada vez mais tecnológica. Assim, e uma vez mais, terá de ser a escola a adaptar-se às novas realidades e aos novos contextos educativos.
Hoje, a escola concorre diretamente com a Playstation e tudo o que é interativo e digital, pelo que deveremos usar novas ferramentas e novos métodos de abordar conteúdos.
As novas gerações cresceram com um comando numa mão e com um rato na outra, como referem Lencastre e Chaves (2003), a nova geração nasceu num universo invadido pela imagem.
Notamos que, grande parte do uso de uma imagem é unicamente motivador e ilustrativo, narram Lencastre e Chaves (2003) que é um uso redutor no processo ensino/aprendizagem, e as suas potencialidades não estão a ser adequadamente usadas.
Desta forma, os docentes devem ter em conta novos sistemas de ensino e a forma como abordam este novo paradigma social. Verificamos que a imagem ilustrou o texto durante muitos anos, quando a imagem apenas acompanhava o texto. Porém, o papel do texto nos meios tecnológicos é elucidar sobre algo que primeiro foi experimentado como imagem, são exemplo os smileys, caracteres que tentam expressar emoções nos textos. Esta ideia é expressa por Lencastre e Chaves (2003), quando referem que o ensino pela imagem é importante porque marca o reconhecimento da imagem já não apenas como um auxiliar que pode servir outras linguagens, mas enquanto linguagem específica, com valor próprio.
Com efeito, o ensino pela imagem deve, além de motivar e ilustrar, servir de instrumento de comunicação e conhecimento, para que um aluno possa obter a maior quantidade de informação possível. Para tal, o papel do professor é fulcral, visto que ajudará o aluno no processo de descodificação de uma imagem, sempre com interações e diálogos com os alunos e estes com os seus pares, podendo traduzir a imagem em palavras e iniciar um processo que Lencastre e Chaves (2003) denominam de alfabetismo visual.
Neste contexto as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) têm um papel facilitador no ensino/aprendizagem e, nomeadamente, na divulgação e ensino através da imagem, pela interação que emprestam e pela motivação que suscitam. É preocupação de todos os profissionais de educação que todas as crianças possam viver uma escola inclusiva, na qual qualquer aluno tenha igualdade de oportunidades e de acesso tecnológico. A escola inclusiva só é para todos se a todos der resposta e as TIC são a grande alternativa à aquisição de competências por parte das crianças com Necessidades Educativas Permanentes (NEP).
Assim as TIC são um excelente recurso para desenvolver a capacidade de expressão, de criação e de aprendizagem de crianças com NEP. Assistimos hoje a uma integração da tecnologia com os antigos métodos de ensino, como já referimos, e diferentes estudos ilustram que esta é uma realidade que comprova alunos mais motivados e com aquisição de competências diversas. Por outro lado, os professores recorrem cada vez mais aos computadores para apresentar os materiais de forma aliciante e diferente, promovendo o ensino por imagem animada e interativa, fomentando o debate e interação com a máquina ou o software e entre os diferentes alunos/professores.
Segundo Belchior et al (1993), a utilização do computador não deve estar dissociada do currículo que o professor pretende implementar. Para se tirar o máximo partido do uso dos computadores é importante que as actividades feitas com o apoio deste sejam um complemento das atividades educativas gerais.
Deve aceitar-se este desafio e estarmos preparados para enfrentar o futuro da Educação.
Torna-se, deste modo, necessário explorar as possibilidades que o desafio nos oferece, executar alguns programas, utilizar outros já existentes, reconhecer o software e identificar o que pode ser aplicado e qual a melhor forma de o fazer, conforme menciona Raible (1996).
Os alunos também participam no processo de ensino/aprendizagem e em parceria com os professores, todos aprendem fazendo, que é o que acontece quando se trabalha com um computador.
As crianças estabelecem os primeiros contactos com os computadores através de jogos que funcionam como que uma ligação íntima com a máquina, oferecendo-lhe o prazer de brincar, cativando-a, advertindo-a ao mesmo tempo que aprende a mexer e também a adquirir conceitos e regras, sem dar por isso.
Em contraste com o ensino tradicional o ensino auxiliado pelas TIC é potencialmente capaz de uma considerável adaptação, a cada criança individualmente. Não é alternativa ao ensino humano dentro da sala de aula, já que é o professor quem orienta, coordena as actividades a desenvolver, como faz em relação a todos os outros materiais ao seu dispor.
As novas tecnologias deram origem ao aparecimento de equipamentos específicos para as crianças com NEP, no caso do espetro do autismo, uma imagem vale imensas palavras e fornece imensas interações com as crianças (Belchior et al, 2003).
Brincar é uma actividade característica da infância. É através desta actividade que a criança constrói a sua aprendizagem acerca do mundo em que vive, da cultura, do meio em que está inserida. Os jogos são uma pequena parte desta actividade de construção da criança que se transfere para o adolescente. O jogo computacional pode ser desenvolvido de acordo com as necessidades dos alunos, da escola e dos seus professores, assim, adequando-se a cada meio e aos poucos tornando-se um novo instrumento de ensino. Poderemos afirmar que as TIC tornam o dia-a-dia das crianças com NEP mais fácil, contribuindo para a preparação e reabilitação destas crianças. Quando estamos a trabalhar no mundo da Educação, principalmente com estas crianças, não nos podemos esquecer da envolvente pedagógica que deverá estar sempre presente.
É neste enquadramento que surge o computador e os materiais a ele associados que se tornam interlocutores sempre disponíveis, desmistificados e humanizados com um papel preponderante no processo ensino aprendizagem contribuindo para a comunicação, autonomia, a socialização, motricidade, estimulando o trabalho da criança e favorecendo a sua aprendizagem.
Não se pode estabelecer uma distinção entre programas baseados na escola e programas baseados em casa, pois, na maior parte dos casos, o ensino e a aprendizagem têm que ter lugar em ambos os contextos para atuarem de forma eficaz na melhoria da qualidade de vida da criança, tanto no momento presente, como no futuro.
Assim, os professores têm que ajudar os pais a conceber programas que conduzam à aquisição de aptidões para a vida diária, bem como os que desenvolvam as brincadeiras e as actividades de lazer. É um dever, ainda, comunicar quais as estratégias que verificaram ser mais eficazes ao lidar com a criança em casa e na escola, tornando deste processo cíclico uma verdadeira experiência educativa para estas crianças.
Talvez nunca sejamos capazes de perceber completamente as novas autoestradas da informação. Mas atenção: os nossos filhos já as percorrem, veem imagens e interpretam-nas à sua maneira, tornando-se importante uma cultura de educar pela imagem jogando com as TIC.

Bibliografia
BELCHIOR, Margarida et all (1993). As Novas Tecnologias de Informação no 1º Ciclo do Ensino Básico. (1º Edição). Lisboa: Gabinete de Estudos e Planeamento do Ministério da Educação.
LENCASTRE, José Alberto & CHAVES, José Henrique (2003). Ensinar pela Imagem. Revista Galego-Portuguesa de Psicopedagoxía e Educación. N.º 8 (Vol. 10) Ano 7. 2100-2105. ISNN: 1138-1663.
RAIBLE, Holly (1996). Educar Crianças Cibernéticas. Revista Pais e Filhos. N.º 67. 42-44.

Ensinar pela imagem

A educação/formação é um fenómeno observado em qualquer sociedade e nos grupos que a constituem. Contudo, é a sociedade, no sentido mais lato, a grande responsável pela manutenção e perpetuação da Educação/Formação.
Desde há muitos anos, que a sociedade educa e forma as gerações que se seguem, transpondo os modos culturais de ser, estar e agir, que são necessários à convivência e ao ajustamento de um cidadão à sua sociedade.
Ao analisarmos esta sociedade, verificamos que, actualmente, esta se insere num novo paradigma, sendo cada vez mais tecnológica. Assim, e uma vez mais, terão de ser as entidades formativas a adaptar-se às novas realidades e aos novos contextos educativos e formativos.
Hoje, a formação concorre diretamente com a MTV e/ou com a Playstation, pelo que deveremos usar novas ferramentas e novos métodos de abordar conteúdos.
As novas gerações cresceram com um comando numa mão e com um rato na outra, como referem Lencastre & Chaves (2003) «(…) a nova geração nasceu num universo invadido pela imagem (…)».
Notamos que, grande parte do uso de uma imagem é unicamente motivador e ilustrativo, conforme nos referem Lencastre & Chaves (2003) «(…) é um uso redutor no processo ensino / aprendizagem, e as suas potencialidades não estão a ser adequadamente usadas.»
Desta forma, os formadores devem ter em conta novos sistemas de ensino e a forma como abordam este novo paradigma social. Verificamos que a imagem ilustrou o texto durante muitos anos, quando a imagem apenas acompanhava o texto. Porém, o papel do texto nos meios tecnológicos é elucidar sobre algo que primeiro foi experimentado como imagem, são exemplo os “smileys”, caracteres que tentam expressar emoções nos textos. Esta ideia é expressa por Lencastre & Chaves (2003) «O ensino pela imagem é importante porque marca o reconhecimento da imagem já não apenas como um auxiliar que pode servir outras linguagens, mas enquanto linguagem específica, com valor próprio.»
Com efeito, o ensino pela imagem deve, além de motivar e ilustrar, servir de instrumento de comunicação e conhecimento, para que um formando possa obter a maior quantidade de informação possível. Para tal, o papel do formador é fulcral, visto que ajudará o formando no processo de descodificação de uma imagem, sempre com interacções e diálogos com os formandos e estes com os seus pares, podendo traduzir a imagem em palavras e iniciar um processo que Lencastre & Chaves (2003) denominam de «alfabetismo visual».
Assim, podemos referir que a leitura de uma imagem é um processo que pode ser simples, se esta leitura for denotativa, mas que deve ser mais complexo, com uma leitura conotativa, pois implica muito mais com a interpretação de cada formando, o que o torna parte central no processo de aprendizagem de um conteúdo.
Em suma, cada formador é e será, cada vez mais, responsável por orientar os seus formandos na interpretação de imagens, nomeadamente, seleccionando o nuclear do acessório e, sobretudo, tentando dar resposta a uma sociedade que anseia por uma formação digital, motivadora e integradora.
  




Bibliografia
LENCASTRE, José Alberto & CHAVES, José Henrique (2003). Ensinar pela Imagem. Revista Galego-Portuguesa de Psicopedagoxía e Educación. N 8 (Vol. 10) Ano 7. 2100-2105. ISNN: 1138-1663

O Projeto Super TABi

Este espaço foi criado no âmbito do Projeto de investigação de Doutoramento em Ciências da Educação, na especialização de Tecnologia Educativa a realizar na Universidade do Minho – Instituto de Educação, no CIEC – Centro de Investigação em Estudos da Criança através da Bolsa FCT do Programa Doutoral Technology Enhanced Learning and Societal Challenges (TEL-SC).

A investigação procura perceber como é que os dispositivos móveis desenvolvem competências de interpretação e gosto pela leitura, explorando o modelo de mobile learning e os novos cenários de inovação pedagógica, como o flipped learning ou gamification.

Pretendemos partilhar e publicar práticas inovadoras utilizando os dispositivos móveis bem como explorar novas pedagogias e ambientes de aprendizagem.

Contamos com a colaboração de todos, podendo enviar textos, imagens, vídeos das vossas práticas letivas para serem publicadas e comentadas.